
Por que o TDAH é mais difícil de diagnosticar em mulheres?
Descubra por que o TDAH costuma ser diagnosticado mais tarde em mulheres, quais são os sinais mais comuns e seus impactos na vida adulta.
6/9/20263 min read
Por que o TDAH é mais difícil de diagnosticar em mulheres?
Durante muitos anos, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) foi considerado um transtorno predominantemente masculino. As pesquisas iniciais foram realizadas principalmente com meninos, o que contribuiu para a construção de uma imagem estereotipada do TDAH: crianças agitadas, impulsivas e com dificuldade para permanecer sentadas.
No entanto, a realidade é que muitas mulheres convivem com sintomas de TDAH durante anos — ou até décadas — sem receber um diagnóstico adequado.
Quando os sintomas passam despercebidos
Diferentemente do que costuma acontecer em muitos homens, as mulheres frequentemente apresentam sintomas menos visíveis. Em vez da hiperatividade física, podem experimentar uma intensa agitação mental, dificuldade para organizar pensamentos, esquecer compromissos, perder objetos e sentir que estão constantemente sobrecarregadas.
Como esses sinais nem sempre chamam atenção, acabam sendo interpretados como características da personalidade ou atribuídos a fatores como estresse, ansiedade ou falta de organização.
O peso do mascaramento
Muitas mulheres desenvolvem estratégias para compensar suas dificuldades desde cedo. Fazem listas, criam lembretes, trabalham além do necessário e se esforçam continuamente para não demonstrar suas dificuldades.
Esse esforço constante pode fazer com que os sintomas passem despercebidos por familiares, professores e até profissionais da saúde.
Por trás dessa aparente competência, muitas relatam uma sensação persistente de exaustão, como se precisassem gastar muito mais energia do que outras pessoas para realizar tarefas cotidianas.
Diagnósticos que costumam aparecer antes do TDAH
Não é raro que mulheres com TDAH recebam inicialmente diagnósticos de ansiedade, depressão ou transtornos relacionados ao estresse.
Isso acontece porque as consequências do TDAH não identificado podem gerar sofrimento emocional significativo. A dificuldade para cumprir prazos, manter a organização ou corresponder às próprias expectativas frequentemente leva a sentimentos de culpa, inadequação e baixa autoestima.
Embora ansiedade e TDAH possam coexistir, é importante avaliar se a ansiedade não está sendo agravada por dificuldades de atenção e funcionamento executivo que permanecem sem tratamento.
Os impactos na vida adulta
Quando não reconhecido, o TDAH pode afetar diversas áreas da vida:
Organização pessoal e profissional;
Gestão do tempo;
Relacionamentos;
Autoestima;
Planejamento financeiro;
Rotina doméstica;
Controle emocional.
Muitas mulheres descrevem a sensação de estarem sempre correndo atrás do prejuízo, mesmo se esforçando intensamente para dar conta das responsabilidades.
O diagnóstico pode trazer compreensão e alívio
Receber um diagnóstico não significa encontrar uma justificativa para as dificuldades, mas sim compreender sua origem.
Para muitas mulheres, descobrir o TDAH representa a oportunidade de olhar para sua trajetória com mais acolhimento e menos autocrítica. Situações que antes eram interpretadas como preguiça, falta de disciplina ou incapacidade passam a ser compreendidas sob uma nova perspectiva.
Com acompanhamento adequado, estratégias terapêuticas e, quando necessário, tratamento multidisciplinar, é possível desenvolver recursos para lidar melhor com os desafios do dia a dia e construir uma relação mais saudável consigo mesma.
Você se identificou?
Se você frequentemente se sente sobrecarregada, esquece compromissos importantes, luta contra a procrastinação ou tem a sensação de que precisa fazer um esforço excessivo para acompanhar as demandas da vida, pode ser importante buscar uma avaliação profissional.
Compreender o que está por trás dessas dificuldades é o primeiro passo para desenvolver estratégias mais eficazes e viver com mais equilíbrio e qualidade de vida.
Francisca Lopes do Nascimento
Psicóloga Clínica (CRP 06/36028)
Especialista em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).Referências Bibliográficas
Russell A. Barkley. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): Guia Completo para Pais, Professores e Profissionais da Saúde. Artmed.
Sari Solden. Mulheres com Déficit de Atenção: Desafios, Estratégias e Soluções. M. Books.
Patricia O. Quinn. Understanding Women with ADHD. Advantage Books.
American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). Artmed.
World Health Organization. Classificação Internacional de Doenças – CID-11.

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